Pedro Pablo Tattay

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O cineasta colombiano, diretor e produtor Pedro Pablo Tattay, se destaca não só por seu trabalho já ter ganhado vários prêmios a nível internacional, mas pelos os temas que reproduz em seu trabalho, como o deslocamento social devido à violência nas cidades, o abuso contra as comunidades nativas de seu país, a visão da terra como um referente direto de nossa própria existência, a cosmovisão de mundo das antigas comunidades nativas etc.

Assim, o sucesso do trabalho deste artista consciente não é apenas observável pelas realizações profissionais de seu trabalho, mas, na sua totalidade, porque essas questões destacam o agravamento de uma sociedade mal orientada e suas conseqüências, temas atuais, de uma transcendência gravitante para a própria existência da humanidade. Ele nos enquadra, com o poder criativo de sua arte, a verdade mais atual e urgente de todo o mundo.

Pedro Pablo Tattay

Pedro Pablo Tattay

Pedro Pablo Tattay estudou cinema e televisão na Universidade Nacional da Colômbia (UN), e seu importante trabalho começou com a criação da produtora audiovisual “Polimorfo”, em 2001, com a qual desenvolve projetos de conteúdo independente com ações sociais, culturais, ecológicas, educacionais e conscientes, para diferentes organizações, como a Universidade Nacional da Colômbia, a Agência dos EUA, o desenvolvimento internacional (USAID), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), a Fundação John Simon Guggenheim, o Governo Basco, MSD Colômbia, o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), Mugarik Gabe, EPM-Bogotá, Book e Books, Latino com, SEVA etc.

A preocupação do artista vai além de uma simples evolução como artista, uma vez que ele se integra em sua obra e vive a experiência do que ele produz, por isso, é capaz de recriar e plasmar a mensagem de maneira simples e linda, mesmo em seus momentos mais cruéis, como é para o artista, mas deixando uma mensagem contundente nessa simplicidade, como no documentário premiado “Kitek Kiwe” (Nossa Memória).

Kitek Kiwe - Nuestra Tierra

Kitek Kiwe – Nossa Memória

Entre suas obras mais ressaltantes, temos Rapeandole al miedo – Rapping at fear, de 2004; Sxa Bwee’s – Conexión con la Madre Tierra, de 2008; Mama Kiwe – Madre Tierra, Pacha Mama, Namuy Pire, de 2009; Kitek Kiwe – Nuestra Memoria, de 2011. Seus documentários receberam inúmeros prêmios em festivais no Canadá, Argentina, Estados Unidos e Coréia, com prêmios como o Prêmio George Foster Peabody Award e o American Television’s Highest Distinction entre outros.

Seu último trabalho, chamado Quintín Lame, Raíz de los Pueblos, estreou em 10 de julho de 2015, retratando a vida de Quintín Lame, um importante líder indígena colombiano.

Quintín viveu desde sua infância a violência e foi um testemunha de todas as injustiças cometidas contra o seu povo. Quintín se levantou, então, e estabeleceu o primeiro movimento em defesa dos direitos dos povos indígenas na Colômbia. Seu movimento se expressa melhor nas palavras do próprio Quentin.

Quintín Lame - Raíz de los Pueblos

Quintín Lame – Raiz dos Povos

“Meu pensamento é o de um filho da selva que o viu nascer, que foi criado e educado sob ela, como os pássaros são educados para cantar, e os filhotes se preparam, batendo sua plumagem para voar. Desafiando o infinito para cruzá-lo amanhã”.

O documentarista afirma, em relação à intenção de seu trabalho: “[…] Promover e potenciar a cultura e o respeito pelos direitos humanos dos povos indígenas, desenvolvendo um processo de memória histórica da vida de Manuel Quintín Lame, que contribua para preservar, resgatar e fortalecer através de um documentário “.

No entanto, seu trabalho não se limita a este assunto, atualmente ele colabora com a Fundação Internacional Hijos del Maíz, que defendem sementes naturais, sua preservação e conservação contra o estabelecimento de produtos transgênicos e a industrialização da agricultura a nível global.